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Category Archives: Arquitetura

No Minhocão…

Podemos recomeçar? Devemos?

Deixemos assim?

Branco, pra que te quero branco?

Triste, vazio…

E quem disse que eu quero branco? Nem beige, nem cinza, nem morto!

A vitrine aberta do grafite paulistano aos poucos vem se transformando.

Notamos que os pilares estão completamente degradados pelas intempéries, e por vandalos, que por puro prazer e desinformação, acabam por deteriorar grandes obras da arte de rua.  Claro que sabemos que sem uma proteção mais dedicada  a esta arte, seja da  informação da  parte da população e da municipalidade, a existencia destas obras é muito curta. Uma pena. Tanto que foi criado este Museu para a posteridade destes trabalhos.

No entanto, ocorre um outro fato e que nos deixa sem ação: alguém vem limpando partes de alguns grafites. Não sabemos quem, nem por que, porém de uma forma estranha de limpeza.

Pintando de beige alguns entornos das obras, sem nenhuma estética ou informação. Aquilo que acreditam não apropriado ao grafite, vem sendo eliminado, como por exemplo, certos tags, palavras ou assinaturas etc

No nosso entender, também somos a favor de uma limpeza e revitalização das obras de arte desta vitrine, porém com certos cuidados.

Sugerimos aos autores desta limpeza, que se de fato querem melhorar o visual do Minhocão, hoje tão destruido, que procurem os artistas para que retrabalhem os pilares  e revitalizem tais obras. Sem ferir  a arte da rua ou fazer do minhocão uma serpente monstruosa .

Juntos, podemos criar uma estética visual que agrade a todos e mostrar ao mundo que com a arte tudo pode se transformar. O mundo precisa, além de comida, de diversão e arte.

Num canto de Pinheiros, uma rua inteira é dedicada ao grafite.  Um vale, dentro de pequenas ruas que giram. As obras unidas. Ela é conhecida com o nome de beco do batman.

Uma vida da arte que na sua tranquilidade é filmada, fotografada, encenada. E se o de fora pertence a todo o mundo estava entregue somente aos artistas, a única obrigação é que as obras sejam discutidas com os moradores, a vila seria uma galeria sem fim, habitando o lado de fora.

A Rua Gonçalo Afonso é uma surpresa discreta nesse bairro tranquilo. Muito próxima de um cemitério que com cerâmicas, grava também em seus muros a linguagem da cidade. Um núcleo utópico bastante centrado e colorido que demonstra o que se pode fazer de uma politica de arte total, disponibilizar as áreas publicas, abandonadas pela falta de interesse, aos mágicos das imagens, aceitar enfim que nossa paisagem não é um milagre natural onde a beleza é um jogo de búzios, mas a fachada que é possível e que dedicamos aos nossos olhos, à força do trabalho, muito além de habitar.

Deixemos a rua das rimas ser cantada pelo Fora de Frequencia. Sonhemos com cidades coloridas em pequenos becos da cidade, e a cada dia descobrir numa manhã, a obra da noite. Ver ao longo dos caminhos; indo pra escola, ao trabalho, padaria ou ao cabeleireiro, novas silhuetas se abrigando nos muros.

Dans un coin de Pinheiros, une rue entière s’est livrée au graffiti. Au creux d’une vallée, dans de petites rues qui tournent. Les œuvres accolées. Elle est connue sous le nom de beco do batman

Une vie de l’art qui dans sa tranquillité sera filmée, photographiée, mise en scène. Et si le dehors appartenant à tout le monde était livré aux seuls artistes, la seul contrainte que l’œuvre soit discutée avec le riverain, la ville serait une galerie sans fin, habitant ses dehors.

La Rua Gonçalo Afonso est une surprise discrète dans ce quartier tranquille. Très proche de ce cimetière qui grave dans les céramiques de ses murs le langage de la ville. Un noyau utopique assez dur et coloré pour démontrer le faisable d’une politique de l’art total : livrer les surfaces publiques, abandonnées par manque d’intérêt privé aux magiciens des images, accepter enfin que notre paysage n’est pas un miracle naturel dont la beauté est un coup de dé, mais la surface que nous offrons à nos yeux, à force de labeur. Autant l’habiter.

Laissons la rue des rimes être chantée par Fora de Frequencia. Rêvons de villages colorés dans les coins de la ville, et chaque jour découvrir au matin l’œuvre de la nuit. Voir le long des chemins, en allant à l’école, au travail, au boulanger, chez le coiffeur, de nouvelles silhouettes se nicher sur les murs.

[diaporama]

[Flickr=http://www.flickr.com/photos/sqala/sets/72157624873909592/show/]