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Tag Archives: Artista

Um fundo de cor, algumas letras … e pronto. Os muros do Minhocão timidamente se refazem.

A lavagem serviu apenas para uma reciclagem.Assim como um pintor necessita de uma tela branca para demonstrar seu sentimento, a cidade precisa de muros limpos para expor suas idéias com a arte de rua.

Cores e nomes, formas e letras reaparecem da noite para o dia. Afinal os muros do Minhocão não podem continuar nus, pois é neles que são transferidas as vozes da cidade, é neles que a população transmite suas idéias.

Discordando de certos comentarios sem sentido, a rua é publica e é para todos. Como sempre a maioria vence, quem não quiser ver que feche os olhos ou mude de caminho, pois « Arte de Rua » traduz seu status de arte, e no computador, o Museu se ocupa da tecnologia para guardar na memoria esta fragil arte.

Credit: Minhocão/Avril-11/Photo:ck/Art:DL

O comportamento é a marca registrada deste personagem folclórico. Muito divertido e brincalhão, o saci passa todo tempo aprontando travessuras na matas e nas casas. Assusta viajantes, esconde objetos domésticos, emite ruídos, assusta cavalos e bois no pasto etc. Apesar das brincadeiras, não pratica atitudes com o objetivo de prejudicar alguém ou fazer o mal.De acordo com o mito, o saci não é voltado apenas para brincadeiras. Ele é um importante conhecedor das ervas da floresta, da fabricação de chás e medicamentos feitos com plantas. Ele controla e guarda os segredos e todos estes conhecimentos.

A crença neste personagem ainda é muito forte nas regiões do interior do Brasil. Em volta das fogueiras, os mais velhos contam suas experiências com o saci aos mais novos. Através da cultura oral, o mito vai se perpetuando. Porém, o personagem chegou aos grandes centros urbanos através da literatura de Monteiro Lobato,  da televisão e das histórias em quadrinhos, com o Chico Bento, de Mauricio de Sousa.

Mas, ainda nos centros urbanos, dentro da cultura da arte de rua ele também não poderia faltar. Ele é o saci urbano que traz em sua bagagem a safadeza do garoto que, com a peculiaridade de suas estripulias, perambula por todos os cantos, fazendo de  sua presença,  uma forma de manifestação, seja artistica, cultural ou politico social.

Pois bem, o minhocão todo branco, lavado….qual o grafiteiro teria coragem de recomeçar?

Alguns me dizem que a proibição é pesada, a regra é clara: cana na certa!

Porém, quem mais poderia aparecer e deixar sua marca registrada?

Ele, o Saci Urbano!

Pra ele,  não tem tempo feio,  nem quem o proiba, afinal, proibir um saci fica bem dificil… e eu pergunto, que mal tem isso?

Definitivamente, vivemos numa democracia onde nossa vontade de expressão é livre, não prejudicamos ninguém, além de expor nossas idéias em forma de arte e cultura. E o Saci Urbano é a mais pura das recriações de nossa cultura popular em forma de grafite.

Seja muito bem vindo de volta ao Minhocão, Saci Urbano! As suas aparições são tão importantes aos adultos de hoje assim como o negrinho safado do  mundo dos sonhos de Narizinho e Pedrinho no Sitio do Pica Pau Amarelo.

Continue com o poder e a força de fazer sonhar todos os Narizinhos e Pedrinhos que vivem nessa imensa selva de concreto.

O meu primeiro contato com a arte de rua surgiu de um trabalho da UAM, nos anos 90, com uma analise semiotica onde a fotografia era o tema, então fazendo as fotos fiquei maravilhada com as imagens. Naquela época, uma novidade dentro da faculdade, o que valia era o estudo sobre as fotos, não se discutia muito o grafite como arte. Ainda!

Desse tempo pra ca, a arte de rua evoluiu junto com as pessoas, lado a lado com a cultura da vida, ela progrediu e mostrou ao mundo que não veio do nada, ela veio de Jean Michel Basquiat, veio de Vallauri aqui no Brasil, entre outros. E a arte de rua se transformou numa enorme galeria de arte ao ar livre.  por um lado , se o mundo evoluiu tecnologicamente, a arte de rua acompanhou e evoluiu também.

Essa arte, hoje no Brasil, ultrapassa os limites da rua, além da presença fiel em muros de todo o mundo, ela se apresenta nas ruas , galerias, estampada em produtos,  apoiada por fundações de peso, como a Cartier, ela tomou formas e cresceu, e, definitivamente, foi pra faculdade.

Vingou tanto que hoje faz parte de um projeto de uma das mais importantes universidades do Brasil; que abriu um projeto chamado Parede Viva, un projeto de transformação das paredes da universidade em murais artisticos, criados por artistas de rua, entre tantos outros projetos espalhados pelo mundo.

O reconhecimento por ela é presente.

Porém, alguns ainda a consideram uma arte marginal, vulgar e suja. Uma pena para eles. Vejam o caso do Minhocão, apagaram tudo, pintaram tudo de beige. Particularmente para o Minhocão, espero que empresas como a Montana criem tecnologias rapidamente para grafites em paredes lavaveis.

E o que importa é que a essencia e a cultura da arte de rua não foram  apagadas.

Ao contrario, essa arte hoje, é graduada.

photo 2: Caio Antunes http://www.flickr.com/photos/paredeviva/page3/